Escritório antenado


Escritório antenado
SÃO PAULO - Notebooks, smartphones, aplicativos online e companhia colocam a produtividade em máxima voltagem, onde quer que você esteja.


Tem Wi-Fi aí? Nos cafés, restaurantes, aeroportos e hotéis por onde passa, Fernanda Takai, 36 anos, vocalista da banda Pato Fu, sempre procura uma conexão sem fio. No ritmo frenético do dia-a-dia de Fernanda, o escritório mais habitual não tem um endereço fixo. É móvel — e portátil. “Minha vida toda está aqui dentro”, diz ao apontar para seu notebook Vaio, da Sony. Sem o laptop, ela não faz show, não tem viagem da banda, nem dá para gerenciar a equipe de apoio e as contas do banco. “A tecnologia dá uma sensação de onipresença”, afirma Fernanda.


Por e-mail ou SMS, ela resolve as pendências com a empresária e a produtora. Além de usar o Wi-Fi, em breve, a cantora pretende fazer um upgrade na mobilidade, com a compra de um modem 3G. “A espera nos aeroportos e camarins ganha outra dimensão, sem tanta perda de tempo. Respondo a entrevistas, tomo decisões, fecho a agenda, escrevo textos para minhas colunas em jornais”, diz. Por Skype, ela conversa tanto com o irmão que mora no Japão quanto com o marido, John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu, mesmo quando o casal está debaixo do mesmo teto.


Assim como para Fernanda, pouco importa onde eu e você estamos trabalhando neste exato momento. O que conta é o arsenal que adotamos. Um kit arrojado de hardware, programas e serviços permite extrair a máxima produtividade, independentemente da latitude e da longitude. Dentro do escritório, multifuncionais incorporam interfaces Wi-Fi, os desktops ficam mais compactos e elegantes para disputar espaço com os notebooks e os monitores ganham o formato widescreen e embutem recursos como webcams. Os roteadores, por sua vez, também começam a abrir espaço para as conexões 3G como alternativa de banda larga.


Fora do escritório, quem brilha mais são os notebooks, os smartphones e, é claro, os aplicativos online, que cravam a colaboração em seu DNA. Segundo relatório da empresa de pesquisas Forrester, divulgado no mês passado, o escritório do século 21 é um espaço de trabalho da informação, uma plataforma que integra múltiplas aplicações que promovem a interação e a colaboração online, em tempo real, entre participantes de um mesmo projeto.


O pacote Aprex (www.aprex.com.br), por exemplo, incrementou a organização do escritório do advogado Marcos Aldenir Ferreira Rivas, 43 anos, que fica em Manaus. Com o disco virtual integrado à agenda, é possível atrelar arquivos armazenados aos compromissos. “Vinculo os documentos referentes ao processo à data da audiência, no calendário online”, diz Rivas. Cinco advogados do escritório estão autorizados a gerenciar as informações do Aprex e 35 clientes e colaboradores foram cadastrados no sistema, com acesso apenas às pastas e aplicativos determinados pelo administrador. Quando viaja para São Paulo ou Brasília, Rivas acessa o Aprex pelo celular, além de usar o notebook. “Fico mais tranqüilo em saber que posso ver todas as informações de onde quer que eu esteja”, diz.


A agência de comunicação interativa W3haus, que tem 50 funcionários, adotou a versão gratuita do Google Apps (www.google.com/a), que inclui aplicativos online como Google Docs, Google Calendar e Gmail. “Isso permite que alguns funcionários trabalhem remotamente”, diz Alessandro Cauduro, diretor de tecnologia da empresa. Mesmo considerando os momentos em que o pacote fica fora do ar (por problemas no serviço ou na própria rede da empresa), Cauduro acha que vale a pena usar o Google Apps. “Os profissionais da área gerencial da W3haus, que têm escritórios em Porto Alegre, São Paulo e Londres, compartilham documentos e podem fazer alterações simultâneas”.


Estação móvel de trabalho


A maioria dos funcionários da W3haus usa laptops. A substituição dos desktops por computadores móveis é uma tendência visível. O crescimento de vendas de laptops no Brasil foi de 153% em 2007, em relação ao ano anterior, segundo pesquisa da IDC. “As empresas estão começando a perceber os ganhos de produtividade trazidos pelos notebooks e a conhecer os recursos de segurança disponíveis”, diz Ricardo Shiroma, gerente de produto da Dell no Brasil. Ele acredita que haja espaço no país para um incremento maior: os portáteis correspondem a 15% das vendas de computadores no Brasil, enquanto a média mundial é de 30%, segundo a IDC.


Outro equipamento móvel que segue um ritmo acelerado de vendas é o smartphone, que apresentou um crescimento de 60% em 2007, em relação ao ano anterior, e corresponde a 10% de todo o mercado de celulares no mundo, segundo pesquisa da Canalys. “São aparelhos híbridos, úteis tanto para o trabalho como para o entretenimento”, diz Fiore Mangone, diretor de serviços e software da Nokia, líder do mercado de smartphones.


Segundo Mangone, o e-mail é uma das aplicações que mais atraem interesse nos smartphones. Nesse quesito, um nome clássico é o BlackBerry, da Research In Motion (RIM), segundo lugar na lista dos fabricantes de smartphones, segundo a Canalys. O modelo Curve é a mais nova aquisição do apresentador de TV Marcelo Tas, 48 anos, para checar o correio eletrônico com mais facilidade. “Depois de muito relutar, me rendi ao BlackBerry”, diz ele.


O impulso do 3G


Não basta ter um equipamento móvel sem a conexão a redes de banda larga sem fio. Com a tecnologia Wi-Fi embutida em praticamente todos os notebooks que saem de fábrica, a popularização das redes 802.11 e a estréia de novas redes de terceira geração no Brasil, fica cada vez mais fácil usufruir da mobilidade integralmente. “O Wi-Fi, como rede complementar à internet terrestre, e o 3G, para internet móvel, são tecnologias que estão se popularizando nas pequenas e médias empresas”, diz Vinícius Caetano, analista de telecomunicações da IDC Brasil.


A Claro, uma das operadoras que já oferece conexão pelos modems 3G, calcula que a banda larga móvel é responsável por 70% das vendas de 3G. Ainda em fase de ajustes, a operadora não tem dado conta da alta demanda — muitos clientes reclamam da queda do sinal e oscilação da rede.


O administrador de infra-estrutura de TI Giuliano Carrieri, de 31 anos, faz parte do grupo dos satisfeitos. Ele adotou o modem 3G da Claro em novembro, em substituição à internet ADSL da Telefônica, o Speedy. Pode trabalhar mesmo longe do escritório ou de casa. “Quando estou na rua e dá um problema em algum serviço que roda no servidor da empresa, posso me conectar à internet e fazer o acesso remoto”, diz. “É uma mão na roda”.



Fonte: Info Online


   
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